segunda-feira, 8 de junho de 2009

A vida nas aldeias

· Alimentação

Em 1950-70, a alimentação era muito diferente da actual, consumindo-se apenas o que era produzido na sua pequena horta, como por exemplo: couves, grão, batatas, alho... Também era usada a troca de produtos entre os habitantes da aldeia, sempre que necessário. O peixe era fornecido uma vez por semana. A revendedora passava por todas as ruas da aldeia, fazendo sempre o seu pregão.


· Tempos livres

As brincadeiras eram na rua, por exemplo jogando ao pião, ao berlinde, às escondidas, à sovela, ao mocho, entre muitas outras. As noites eram passadas em família e amigos, jogando às cartas e contando contos. As senhoras aproveitavam para dar pontos na roupa, enquanto as raparigas bordavam o enxoval.´










· Educação

O ensino era exercido por professores residentes na aldeia. No recreio, os rapazes e as raparigas brincavam separadamente.Um dos castigos era ser obrigado a ir à missa no Domingo ou levar com a régua na mão.













· Moda

A moda era feita pelas altas costureiras e alfaiates da aldeia. As mulheres usavam vestidos abaixo dos joelhos, sem cava, nem decotes, sempre com meias e sem usar calças de ganga. Os homens usavam camisa e, quase sempre, colete, com boina ou chapéu, com o seu inconfundível relógio de bolso.

· Transportes

O transporte era feito através de burros, a pé ou com carroças. Existia uma transportadora, formada por um casal e que tinha como função transportar as encomendas e pessoas, através de dois cavalos e uma carroça.













· Comunicação social

Era feita através da rádio ou de jornais, sempre que alguém vinha à cidade. Mais tarde, já havia algumas televisões nas tabernas.













Dimauro Matias

A vida na aldeia da minha avó Lucinda

A minha avó Lucinda nasceu numa aldeia chamada vale da Saraça, que pertence á freguesia de Santo André das Tojeiras. Quando se casou mudou para uma casa que ficava numa aldeia próxima, Gaviãozinho.






















Figura 1- a minha avó Lucinda

A minha avó conta que a vida era extremamente dura, em vez de estar na escola a aprender, a minha avó andava com os pais e muitas vezes sozinha pelos campos a trabalhar. Em criança trabalhava de sol a sol.Não tinha água potável, para terem água para consumir tinha de ir buscar á fonte que ficava a 1km de distância. Não havia luz, tinham candeeiros a petróleo, e candeias de azeite era como se iluminavam. A minha avó acordava às 6h da manha, e o que faziam quando saiam de casa era procurar trabalho pelas aldeias, como por exemplo; acartar pedras numa canastra á cabeça para fazer paredes; semear trigo, centeio, milho…; guardar gado, para conseguirem ganhar “o pão de cada dia”. Depois de o dia inteiro de trabalho, se não fica-se em casa dos patrões, vinha para casa a pé, já de escuro, muitas vezes ficava muito longe.

























Figura 2-lanche pelo campo

Quando chegávamos a casa é que jantávamos, couves com batatas (por exemplo), não se comiam ovos, nem galinhas porque vendiam para conseguirem ganhar algum dinheiro.Com este dinheiro compravam roupa, sapatos.

A minha avó descreveu alguns dias de trabalho:“Abalava de manha com as cabras por aqueles campos todo dia, descalça, com muitas feridas nos pés, e a chover. Nem que chovesse eu não podia vir-me embora. Já sol-posto regressava a casa cheia de fome, porque os meus pais não tinham comida que eu pudesse levar para a merenda. Quando me deitava tiravam-me a roupa toda por causa dos piolhos.”“Com 15 anos comecei a namorar, e ia a pé para as charnecas do Tejo a apanhar azeitona, levávamos a nossa merenda para 15 dias de trabalho, depois desses 15 dias regressávamos a casa para vir buscar mantimentos para mais 15 dias e voltávamos as charnecas.”




















Figura 4- a minha avó, o meu avô, o meu pai e o meu padrinho.


Tânia Bento
A aldeia onde a minha avó nasceu chama-se Aldeia de João Pires.A casa da minha avó era feita de pedra por fora, por dentro a sala e os quartos estavam forradas em madeira. A cozinha tinha paredes de pedra e por cima o telhado era só a telha, para, quando acendiam o lume, o fumo sair pelos buracos da telha. Não tinha casa de banho.A minha avó, como tinha 3 irmãs, algumas tinham de dormir na mesma cama ou então dormiam no chão, em cima de mantos.A roupa que a minha avó usava era simples e tinha que ter cuidado, para que durasse muito tempo, porque não tinham muito dinheiro.O ensino não era obrigatório e então a minha avó não foi à escola, ia ajudar os pais no campo.Quando já era mais velha, a minha avó foi trabalhar para a casa de umas professoras ricas e o que sabe hoje de letras e números foram elas que a ensinaram.






















Vanessa Borronha
Vou relatar algumas experiências de vida do meu pai, na sua juventude, nos anos 70.Meu pai Manuel vivia no Alvaiade. Era e continua a ser uma pequena aldeia perto de Castelo Branco, com muito poucos habitantes.No Alvaiade, os meus avós paternos tinham três hortas, o que lhes permitia terem uma alimentação saudável. Além das hortas, tinham também muito gado: cabras, galinhas, coelhos, porcos, entre outros.Passados alguns anos, o meu pai foi para a tropa. Naquele tempo era obrigatório ir à tropa, mas já não havia guerra. Afirma ter lá passado por grandes custos, diz que sofriam bastante, que eram submetidos a grandes sacrifícios.



























O meu pai aos 17 anos, com o seu primo.























Na tropa, a caminhar.


























Na tropa, a engraxar as botas.


Natacha Gomes

A vida da minha mãe na aldeia

A minha mãe viveu nas Termas de Monfortinho. Todos pareciam uma família, pois a povoação era pequena e todos se davam bem uns com os outros. A minha mãe morava com a sua avó que, neste caso, é a minha bisavó.A sua alimentação era bastante boa, relativamente às outras pessoas, pois os meus avós estavam na Alemanha e então mandavam muita comida para cá: gomas, chocolates, mas do que se recorda mais é dos iogurtes, porque era um alimento que em Portugal ainda não havia, por volta de 1968.Durante os tempos livres, faziam várias actividades, como por exemplo jogar à malha, jogar à bola, andavam de bicicleta, faziam desfiles de moda com fatos de jornal, etc.Naquele tempo, era muito rara a pessoa que tinha televisão. Conta a minha mãe que na ladeia só havia uma pessoa que tinha. Então, de vez em quando, metia a televisão na janela a dar para a rua e toda a vizinhança se sentava a assistir.A roupa era basicamente da Alemanha, pois os meus avós mandavam não só comida, mas roupa também. Então andava quase sempre “no último grito da moda”.






















Natacha Gomes

A saúde nas Rochas de Baixo

O meu pai lembra-se de ser muito raro ir uma ambulância à aldeia dele, só mesmo quando era muito grave.Quando as pessoas estavam doentes, ficavam em casa. Era muito raro virem ao hospital, só quando estavam mesmo muito doentes é que apanhavam o autocarro ou um amigo que tivesse carro levava o doente.Quando as pessoas tinham constipações, não havia comprimidos, faziam chás e outras “mansinhas”.Quando tinham febre, colocavam toalhas molhadas na cabeça, porque não havia medicamentos.Às vezes, tinham de ir trabalhar mesmo doentes, para não perderem o trabalho.






























Ana Gonçalves

A educação da minha mãe

A minha mãe contou-me que a educação, na altura dela, era dada pela sua mãe e pelo seu pai.A educação era muito rígida e por vezes era castigada e levava alguns estalos. Um dos castigos que lhe era aplicado muitas vezes era ser presa com uma corda à cintura e estar presa à cama, para não fugir para a rua.A educação, em questões escolares, também era rígida. Eram obrigados a cantar A Portuguesa e rezar o Pai Nosso e o Avé Maria, assim que entravam na sala de aula. Os materiais utilizados, naquele tempo, para escrever, era um caneto e uma pedra, feitos do mesmo material do quadro.Até ao 2.º ano, usava o caneto e a pedra, para escrever. No 3.º ano, usava um caderno para todas as disciplinas e uma caneta de aparo. Era tudo dado pelo Estado. A caneta de aparo era uma caneta de madeira com um bico, que servia para molhar na tinta e escrever.Quando saía da escola, à tarde, ia ajudar a minha avó, nas limpezas das casas das patroas dela.A minha mãe, em 1967.





























Manuel Anacleto